Nobreak para CFTV: o sistema trabalha 24 horas, o nobreak de entrada não
O pedido de imagem quase sempre chega depois. Alguém entrou no galpão, o carro sumiu da frente da loja, o portão amanheceu forçado — e aí a pergunta é uma só: “manda o vídeo”. É nesse momento que se descobre que o gravador estava desligado, porque tinha faltado energia no bairro e o nobreak segurou por quarenta minutos de uma queda de três horas.
O detalhe cruel é que a falta de energia e a ocorrência costumam ser o mesmo evento. Numa tarde de chuva forte em Belém, com a rua no escuro, o sistema de câmeras é exatamente o equipamento que mais precisa estar de pé — e é o que normalmente cai primeiro, porque foi ligado no nobreak que sobrou.
CFTV é o único sistema cujo trabalho começa quando a energia acaba
Essa é a diferença de fundo. Um computador no nobreak precisa de tempo para salvar o arquivo e desligar com segurança: cinco, dez minutos resolvem. O portão eletrônico precisa de algumas aberturas. O CFTV não quer desligar com segurança — ele quer continuar gravando, e por todo o tempo que a queda durar.
É um sistema que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem pausa para o almoço e sem fim de semana. Dimensionar isso com a régua do nobreak de escritório é o erro de origem de quase toda instalação que a gente encontra em campo.
Quanto um CFTV consome de verdade
Câmera é equipamento de baixo consumo, e é justamente por isso que o total engana: ninguém soma. Estes são os valores que usamos como referência de projeto:
| Equipamento | Consumo de referência | Observação |
|---|---|---|
| DVR / NVR 8 canais | 40 W | 16 canais sobe para cerca de 60 W |
| HD de vigilância adicional | 8 W cada | Some por disco, não por gravador |
| Câmera analógica com infravermelho | 6 W cada | O infravermelho é o que puxa, e ele liga à noite |
| Câmera IP | 8 W cada | Alimentada por PoE, o consumo aparece no switch |
| Câmera IP PTZ (speed dome) | 25 W cada | O motor de movimentação pesa |
| Switch de rede 8 a 24 portas | 10 a 20 W | Sem contar o que ele entrega às câmeras PoE |
| ONU de fibra + roteador | cerca de 18 W | Sem eles não há acesso remoto nem notificação |
| Monitor de CFTV 24" | 26 W | Este fica fora do nobreak — ninguém precisa olhar a tela no escuro |
Somando o que realmente precisa continuar ligado, os dois cenários mais comuns ficam assim:
Repare que não há nada de absurdo nessas listas. É a instalação padrão de uma loja de rua e a de um galpão — e nenhuma delas cabe, em tempo, dentro do nobreak que costuma ser comprado junto.
Quanto tempo isso dura no nobreak de entrada
Um nobreak de 1.200 VA com as duas baterias internas de 12 V e 7 Ah — a configuração mais vendida — sustentando os 105 W da loja:
O número do meio é o que mais dói. A bateria não avisa que envelheceu: ela continua ali, o painel continua verde, e a perda só aparece no dia da queda — que é o dia da ocorrência. É o mesmo mecanismo que a resistência interna denuncia meses antes, se alguém medir.
O erro de compra: o nobreak que não aceita crescer
Aqui está o ponto que decide tudo e que quase ninguém confere na hora de comprar. Os nobreaks de linha de entrada trazem a bateria selada dentro do gabinete e não têm conector para banco externo. Não é uma limitação de potência, é de projeto: não existe onde ligar mais bateria. Quando o cliente descobre que quarenta minutos não bastam, a única saída é trocar o equipamento inteiro e perder o que gastou.
E o banco necessário para um CFTV não é pequeno. Com as mesmas contas que a nossa calculadora usa — rendimento do inversor, perda por descarga rápida e uma folga para a bateria já não estar nova —, o banco fica assim:
| Tempo de gravação desejado | Loja — 105 W | Empresa — 225 W |
|---|---|---|
| 1 hora | cerca de 19 Ah em 12 V | cerca de 40 Ah em 12 V |
| 4 horas | cerca de 60 Ah | cerca de 128 Ah |
| 8 horas | cerca de 107 Ah | cerca de 228 Ah |
Quatro horas de gravação numa loja pedem, na prática, duas baterias de 45 Ah. Elas não cabem em gabinete de nobreak de mesa — vão para um gabinete externo, ligadas pelo conector que o equipamento precisa ter. Por isso a pergunta “tem engate para bateria externa?” vale mais, na hora da compra, do que a diferença de preço entre dois modelos.
O detalhe que ninguém pergunta: a corrente do carregador
Esse é específico de quem trabalha 24 horas e é onde a instalação silenciosamente morre. Depois de uma queda longa, o banco precisa ser recarregado — e o carregador do nobreak tem uma corrente limitada, normalmente pensada para as duas bateriazinhas internas.
Agora ponha isso no calendário de Belém: no inverno amazônico, as quedas vêm em dias seguidos. Se o banco leva dois dias para voltar ao topo, ele nunca volta — na queda seguinte já está pela metade, e a bateria que vive parcialmente carregada sulfata e morre bem antes do prazo. O sintoma final é aquele clássico: “troquei as baterias ano passado e já não aguenta nada”.
Uma alternativa para sistemas analógicos
Boa parte do CFTV analógico funciona em 12 V contínuos: as câmeras e, muitas vezes, o próprio gravador. Nesses casos existe o caminho da fonte com bateria — o banco alimenta o sistema diretamente em 12 V, sem passar pela conversão para 127 ou 220 V e de volta para 12 V, o que elimina uma perda inteira do caminho.
Não é solução universal: exige conferir a corrente total, a queda de tensão nos cabos até a câmera mais distante e o que fazer com o switch e a ONU, que continuam pedindo tensão de rede. Mas, em instalação nova, vale colocar na mesa antes de escolher o nobreak.
O calor faz o resto do estrago
O rack de CFTV quase sempre mora no pior lugar da empresa: armário fechado, sala sem janela, forro baixo, às vezes o mesmo cômodo do quadro elétrico. Em Belém isso significa bateria trabalhando acima de 30 °C o ano inteiro, e a regra é conhecida: a cada 10 °C acima da temperatura de projeto, a vida útil da bateria cai pela metade.
É por isso que, num sistema que não pode ficar sem imagem, a bateria não é item de compra — é item de manutenção programada. Medir a cada visita custa minutos; descobrir no dia da ocorrência custa o caso inteiro.
Seis itens para fechar a especificação
- Some a carga real — gravador, discos, todas as câmeras, o switch, a ONU e o roteador. Sem a internet, não há acesso remoto nem notificação no celular.
- Defina o tempo com um número — “o máximo possível” não é especificação. Quatro horas cobrem a grande maioria das quedas urbanas.
- Exija o conector de bateria externa — é o item que permite crescer sem trocar o equipamento.
- Escolha senoidal — fontes chaveadas de gravador e injetores PoE são exatamente o tipo de carga que sofre com onda aproximada.
- Confira a corrente do carregador — ela precisa ser compatível com o tamanho do banco, ou a recarga nunca fecha entre uma queda e outra.
- Trate a bateria como consumível medido — com registro da medição em visita programada, não com troca por calendário.
Faça a conta do seu caso
A calculadora de nobreak do site tem gravador, câmeras, switch, ONU e roteador no catálogo, com esses mesmos valores de referência. Monte a lista, escolha o tempo e ela devolve a potência e o banco necessários; no outro modo, informe o nobreak que já está instalado e a idade das baterias para ver quanto ele ainda sustenta hoje.
O resultado sai em PDF, com a lista de equipamentos e as recomendações — útil para anexar ao orçamento do sistema de segurança eletrônica.
Nenhum sistema de câmeras é melhor do que a energia que o sustenta. Um CFTV bem projetado, com o nobreak errado, é um CFTV que grava tudo, menos o que interessa. A Keleuthos atua em Belém desde 2011, com laboratório próprio, e dimensiona o conjunto medindo a carga real da instalação — antes de comprar, e não depois da ocorrência.
Quer manter o CFTV gravando durante a queda de energia?
Falar com a Keleuthos