Câmera 2,8 ou 3,6 mm: o que decide se ela reconhece um rosto
Há poucos dias trocamos a câmera da fachada da Keleuthos. Aproveitamos a troca para rever o que queríamos dela: não basta ver que um carro parou na frente, queremos ler a placa; não basta ver que alguém tocou a campainha, queremos saber quem foi. Detalhe — e detalhe não se resolve comprando a câmera “de mais megapixels” da prateleira. Não são os megapixels que decidem.
Esta é, de longe, a pergunta que mais ouvimos de quem vai instalar câmeras: “quantos megapixels eu preciso?”. A pergunta certa é outra: quantos pixels vão cair sobre o rosto da pessoa, na distância em que ela vai estar. E essa conta depende tanto da lente quanto da resolução.
Megapixel é o tamanho da foto, não o alcance do detalhe
Uma câmera de 2 megapixels (Full HD) tem 1.920 pixels na horizontal. Esses 1.920 pixels são espalhados por toda a largura que a lente enxerga. Se a imagem cobre 4 metros de largura, sobram 480 pixels para cada metro. Se cobre 16 metros, sobram 120.
É aí que entra a lente. O número em milímetros define o ângulo de visão: quanto menor o número, mais aberta a imagem — mostra mais área, mas com menos pixels em cada pessoa. Quanto maior o número, mais fechada — mostra menos área, com mais detalhe em cada ponto.
Por isso a mesma câmera de 2 MP pode ser ótima a 3 metros e inútil a 12. A resolução não mudou; mudou quanto dela sobrou para o que você queria ver.
Os quatro níveis de detalhe
A norma internacional de CFTV (IEC 62676-4) organiza isso em níveis, medidos em pixels por metro na distância de interesse. São os mesmos que usamos nos projetos:
Para ler a placa de um carro parado ou em baixa velocidade, a referência prática é ainda mais alta: cerca de 350 pixels por metro sobre a placa.
2,8 ou 3,6 mm, em números
Com esses níveis, dá para dizer até onde cada combinação de lente e resolução chega. A tabela usa os ângulos típicos das câmeras de mercado — o ângulo exato varia um pouco de um modelo para outro (a 2,8 mm fica entre 97° e 112°; a 3,6 mm, entre 80° e 95°).
| Câmera | Largura vista a 5 m | Identifica até | Reconhece até | Observa até |
|---|---|---|---|---|
| 2 MP, lente 2,8 mm (~105°) | 13 m | 3 m | 6 m | 12 m |
| 2 MP, lente 3,6 mm (~88°) | 9,7 m | 4 m | 8 m | 16 m |
| 4 MP, lente 2,8 mm | 13 m | 3,9 m | 7,9 m | 15,8 m |
| 4 MP, lente 3,6 mm | 9,7 m | 5,3 m | 10,6 m | 21 m |
| 2 MP, lente 6 mm (~54°) | 5,1 m | 7,5 m | 15 m | 30 m |
Repare na terceira linha. Trocar uma câmera de 2 MP por uma de 4 MP mantendo a lente de 2,8 mm leva o reconhecimento de 6 para quase 8 metros — praticamente o mesmo que uma 2 MP com lente de 3,6 mm, que costuma custar menos. Mais resolução com lente aberta compra área; o que compra alcance de detalhe é a combinação certa entre as duas.
Três situações do dia a dia
- Portão da garagem, a 8 metros, para reconhecer quem entra. Uma câmera de 2 MP com lente de 3,6 mm resolve: a 8 metros ela mostra cerca de 15 metros de largura — o portão inteiro e um pouco da calçada — e ainda reconhece as pessoas. A 2,8 mm, no mesmo lugar, mostraria mais rua e reconheceria só até uns 6 metros.
- Porta de entrada, a 4 metros, para identificar quem chega. A 3,6 mm em 2 MP chega exatamente no limite da identificação nessa distância. Se a câmera precisar ficar um pouco mais longe, vale subir para 4 MP — ou aproximar a câmera da porta.
- Caixa ou balcão, a 3 metros, para identificar o rosto de quem paga. Aqui a 2,8 mm em 2 MP dá conta, e ainda pega o balcão inteiro. É o caso em que a lente mais aberta é a escolha certa.
Quando 2,8 e 3,6 mm não bastam
As duas lentes resolvem a maior parte das instalações em casas e comércios. Mas há três situações em que elas não chegam lá, por mais megapixels que a câmera tenha:
- Placa de carro. Com 2 MP, a 3,6 mm lê placa só até uns 3 metros. Para ler a placa no portão, a 6 metros, a conta pede lente de 6 mm com 4 MP, enquadrando só a faixa por onde o carro passa. É o tipo de detalhe que buscávamos na nossa fachada.
- Corredor longo ou portão distante. Passando de uns 8 a 10 metros, para reconhecer alguém, entra a lente de 6 mm — que em 2 MP reconhece até uns 15 metros — ou a varifocal (2,8 a 12 mm), que permite fechar o ângulo no ponto certo.
- Área muito larga com exigência de detalhe. Um pátio de 30 metros de largura não se identifica com uma câmera só. O caminho é dividir o trabalho: uma câmera aberta para a visão geral e outra fechada no ponto que importa — o portão, a porta, o caixa.
Uma câmera, um trabalho
O erro mais comum de projeto é pedir à mesma câmera que mostre o terreno inteiro e, ao mesmo tempo, o rosto de quem passa no portão. Uma lente não faz as duas coisas. Duas câmeras certas custam menos do que uma câmera cara mal posicionada.
Altura e ângulo: a câmera alta demais não identifica ninguém
Mesmo com a lente certa, a câmera instalada lá no alto, apontando quase para baixo, vê o topo da cabeça e a aba do boné — não o rosto. Para identificar, a câmera deve ficar a no máximo 2,5 a 3 metros de altura, com inclinação de até 15° a 20°. Para placas, de frente para a faixa do carro, com no máximo 30° de ângulo.
É por isso que o enquadramento final se faz no local, com a imagem ao vivo na mão, e não só pela ficha técnica — parte do nosso atendimento em campo.
À noite, o alcance é outro
Tudo isso vale para o dia. À noite, sem luz no local, quem manda é o infravermelho — e ele tem alcance próprio, que não acompanha a lente. As câmeras mais comuns trazem infravermelho de 20 metros; modelos com 40 metros já são fáceis de encontrar. Conte sempre com uma folga: se o ponto está a 15 metros, um infravermelho de 20 metros fica no limite.
Dois cuidados de quem já viu muita imagem noturna ruim: câmera atrás de vidro não enxerga de noite (o infravermelho reflete e a imagem fica branca), e a placa do carro reflete o infravermelho e os faróis ofuscam — leitura de placa noturna confiável pede câmera própria para isso.
Quando o problema não é a câmera, é o sistema
Depois da troca da nossa fachada, um conhecido se interessou. Queria fazer o mesmo no terreno da família: uma câmera boa no portão, para ver rosto e placa. Lá, ele já tinha três câmeras Wi-Fi, daquelas que se compram pela internet e se veem pelo celular. Quando contamos que a câmera nova pediria um gravador, a conclusão veio rápida: “então não vai dar”.
Essa conversa se repete muito, e tem explicação. Cada câmera Wi-Fi comum é um sistema isolado: tem o próprio aplicativo, grava no cartão de memória dentro dela mesma (que vai embora junto se a câmera for arrancada) ou numa nuvem paga, e depende do sinal do roteador, que cai com a distância e com as paredes. Com duas ou três, a pessoa descobre o limite: não dá para ver todas juntas numa tela, nem procurar um horário em todas de uma vez. E quase todas têm lente aberta, na faixa de 3,6 a 4 mm, com compressão forte — servem para ver o que aconteceu, raramente para reconhecer quem foi no portão.
Mas o “não vai dar” nem sempre é verdade. Há três caminhos, e a escolha depende do modelo das câmeras que já estão lá:
- Algumas câmeras Wi-Fi aceitam os padrões ONVIF ou RTSP. Nesse caso, elas entram num gravador de rede (NVR) junto com a câmera nova, e tudo passa a aparecer num aplicativo só.
- Muitos DVRs atuais são híbridos. Aceitam câmeras analógicas HD — mais robustas e baratas para o portão — e também câmeras IP compatíveis, no mesmo equipamento.
- Quando as câmeras não aceitam nada disso, o caminho é migrar aos poucos: o gravador entra agora com a câmera nova, já com canais sobrando, e as Wi-Fi vão sendo trocadas conforme o orçamento permite.
Antes de comprar a quarta câmera solta, vale pensar no sistema. É ele que define se, no dia em que você precisar da imagem, ela vai estar gravada, inteira e num lugar só — e de pé durante a queda de energia, que é quando mais se precisa dela. Explicamos isso em nobreak para CFTV: o sistema trabalha 24 horas.
Faça a conta do seu caso
A calculadora de CFTV do site faz exatamente as contas deste artigo. Você escolhe o local (portão, porta, caixa, pátio), informa a distância e o que precisa ver, e ela indica a lente, a resolução e o infravermelho de cada ponto — priorizando as lentes de 2,8 e 3,6 mm, que são as mais usadas — além do gravador, do HD, dos cabos e do consumo do sistema — o número que você leva para a calculadora de nobreak.
Se o resultado apontar que uma câmera só não dá conta, ela diz por quê e sugere a alternativa. E o projeto que você montar pode ser revisado gratuitamente por um técnico da Keleuthos.
A câmera certa é a que entrega o detalhe que você precisa, na distância em que ele acontece — não a de mais megapixels. A Keleuthos atua em Belém desde 2011 e projeta, instala e mantém sistemas de segurança eletrônica com equipamentos Intelbras e Hikvision, da vistoria ao ajuste final do ângulo.
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